O que realmente importa ao ser humano para que viva feliz e em harmonia?


Encarar a vida de forma despretensiosa é uma maneira simples de sintonizar-se com o tempo.


E o que vem a ser Wabi Sabi?


Na idade média, em oposição a nobreza, ao poder e a ostentação, os monges e sacerdotes japoneses participavam da cerimônia do chá, onde tinham acesso direto e intuitivo à verdade transcendental acima de qualquer concepção intelectual e materialista. Nestas cerimônias, utensílios rústicos eram utilizados para preparar e servir o chá. Estes utensílios eram de cerâmica, feitos de forma despretensiosa, minimalista, a base de argila e engobe, sem detalhes, queimados em fornos anagama e noborigama. Estes fornos queimavam as peças por mais de 36 horas em alta temperatura. O calor do fogo e a ação das cinzas das lenhas queimadas durante o processo de sinterização da cerâmica proporcionavam às peças formas, cores e efeitos assimétricos, imprevisíveis. A arte advinha das reações naturais da terra, água, fogo e ar; sem padrões de estética. Peças, que eram únicas, irregulares e imperfeitas, surgiam. Assim como tudo ao redor da cerimônia do chá, apreciava-se então a beleza destes utensílios que eram inacabados no tempo. A beleza modesta e humilde. A beleza das coisas não-convencionais...a beleza wabi sabi.

_____________________________________________________

Dicas:
1) Veja as últimas publicações clicando em: "Página inicial" no rodapé;
2) Veja as publicações anteriores clicando em: "
Postagens mais antigas" no rodapé;
3) Amplie as imagens clicando nas mesmas;
4) Veja também o site de artes plásticas do mesmo autor: www.alfredomilano.com.br

Obrigado por acessar o blog! Volte sempre!

Fotografias e Edição:

Alfredo Milano
Gonçalves-MG
Brasil

Quem sou eu?

Um indivíduo qualquer...

13/09/2008

SEU NINGUÉM

Era uma vez, um ser perdido no tempo e no espaço. Ele não sabia o seu nome e muito menos de sua existência. Tão logo procurou um caminho a seguir, perguntou a si mesmo:
- Por onde devo ir?
No mesmo instante, distante de tudo, percebeu que não estava em lugar nenhum. O lugar nenhum era um lugar frio, numa escuridão eterna sem fim.
- Por que devo ir a algum lugar? Seria por causa do frio que sinto? Mas quem disse que aqui está frio? Seria por causa da escuridão? Mas quem disse que aqui está escuro? Os questionamentos perturbavam a sua mente aristotélica em contradição com o seu instinto e a sua intuição. A dualidade surgiu inata de Seu Ninguém:
- Pra lá ou pra cá? Por onde devo caminhar?
Sem respostas, sentou-se no nada e pôs-se a pensar e pensar em nada. As respostas não vinham, ficou cansado e angustiado por não ter aonde ir, nem mesmo alguém para lhe orientar.
Foi então que surgiu um ser divino cheio de esplendor em luz e calor, que se apresentou como Seu Coração:
- Olá Seu Ninguém, eu sou o Seu Coração, em que posso lhe ajudar?
- Eu estou perdido no tempo e no espaço e não sei por onde caminhar.
- Sim, mas por que você tem que caminhar pra algum lugar?
- Eu sinto que aqui tudo é frio e escuro, queria um lugar mais quente e com um lindo sol.
- Mas quem lhe disse que aqui está frio ou sem sol?
- Também fiz esta pergunta pra mim, não sei, fiquei sem respostas, mas é o que eu sinto.
- Pois é, se você quer mesmo estar num lugar aquecido e iluminado pela luz do sol, precisa acreditar que existe sol, luz e calor. Você acredita em sol, luz e calor?
- Não sei, eu nunca vi o sol, a luz e o calor.
- Mas o que você imagina que seja o sol, a luz e o calor?
- O oposto do que eu sinto neste momento: frio em meio à escuridão.
- Por que você sente o frio em meio à escuridão?
- Eu acho... éééé... por que eu não acredito na luz, no calor e muito menos em sol.
- Então a sua escolha já foi feita?
- Sim, mas não estou satisfeito com ela.
- E por que você não muda a sua escolha?
- Tenho medo.
- Medo de que?
- Do desconhecido, aqui eu passo frio neste mundo sombrio, mas pelo menos eu não erro na minha escolha, pois já conheço a escuridão e o frio.
- Então até logo. Prazer em conhecê-lo Seu Ninguém!
- Não, não vá, preciso de você.
- Pra quê?
- Sei lá, pra me tirar daqui.
- Então saia.
- Como assim?
- Saia daí!
- Mas pra onde eu vou?
- Pra onde você quer ir, oras!
- Mas e se eu não suportar o calor e a claridade?
- Pelo menos você não terá dúvidas.
- Ah é?
- Não sei, será?
- Então você também não sabe, tem dúvidas?
- Quem sabe o quê? A minha realidade é uma a sua é outra.
- Como assim, a realidade do sol, da luz e do calor não é a mesma pra você e pra mim?
- Lógico que é ilogicamente diferente. Depende do que você sente no momento em que aprecia está realidade que é só sua e de mais ninguém. Você acredita numa nova realidade?
- Ai meu Deus, estou ficando confuso...
- É assim mesmo, não se preocupe. Um dia você viverá um novo momento e terá a luz e o calor sem medo!
- Mas e se eu não tentar e ficar aqui mesmo, parado?
- A sua realidade será uma realidade fria e escura, a mesma em que vive, pois é isso que você sente.
- Então você acha que eu devo tentar?
- Eu não acho nada, o que é bom pra mim, talvez não seja pra você.
- E o que devo fazer?
- O que você tem vontade, nada mais.
- Ok, então eu vou ficar aqui mesmo, pois é mais tranqüilo apesar do frio e da escuridão.
- Legal Seu Ninguém! Que a vida clareie e aqueça o Seu Coração. Até mais ver....
Seu Ninguém olhou para o Seu Coração com ternura e se despediu:
- Adeus....obrigado por me ajudar!
Seu Coração foi embora em paz a pensar:
- Eu, ajudar? Rsss, quem sabe um dia eu possa ajudar alguém...

2 comentários:

  1. Rita Aires Anderaos16 de março de 2011 21:27

    Entrei aqui procurando o significado de wabisabi e fiquei maravilhada com essas imagens e texto. Parabéns e obrigada!
    Rita Aires Anderaos.

    ResponderExcluir
  2. Cara Rita, eu é que agradeço a sua visita e comentário. Isso me motiva mais ainda a continuar fotografando, filosofando e escrevendo. Obrigado!

    ResponderExcluir